A estreia de “Uma Brancura Luminosa” levou ao Teatro Variedades, em Lisboa, uma atmosfera de silêncio intenso e emoção, num espetáculo que conquistou longos aplausos e bravos entusásticos. A peça é a adaptação teatral do livro homónimo de Jon Fosse, escritor norueguês distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2023, e tem encenação e adaptação de Sandra Barata Belo, que divide a interpretação com Ricardo Pereira.Foi a leitura da obra que despertou o impulso criativo da encenadora. “Há livros em que as coisas que acontecem são tão marcantes para mim e tão inspiradoras que, como sou atriz, vejo logo que têm imenso potencial cénico”, explica Sandra Barata Belo, que transporta para o palco o universo depurado e profundamente interior de Fosse, onde a solidão, o medo, o amor e a espiritualidade se cruzam de forma subtil. Para Ricardo Pereira, este espetáculo marca um regresso muito desejado ao teatro. “Estava louco para regressar. Houve convites ao longo deste tempo, mas há sempre a questão do conflito de datas. Venho do teatro e tentei, durante uma parte da minha carreira, de dois em dois anos, fazer teatro. A última peça que fiz foi um David Mamet no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, e estava com muitas saudades. Mas queria muito encontrar uma peça, um texto que me seduzisse. A Sandra e eu somos amigos e colegas de uma vida inteira, já trabalhámos juntos em cinema e televisão, e sempre tivemos este desejo de estender a nossa vida artística ao teatro. Foi o desafio certo no momento certo.” Sobre o processo criativo, o ator revela: “Para mim foi a primeira vez que tive uma encenadora que também é atriz. A Sandra dizia: ‘Ricardo, isto é uma peça em que tu entras 90 por cento e eu entro 10’. Mas embora eu entre grande parte da peça, ela entra muito mais do que 10. Foi um processo muito difícil, mas muito prazeroso.” Sandra Barata Belo destaca a confiança mútua como base do espetáculo. “Foi incrível o Ricardo ter aceitado e ter confiado em mim. Estamos a falar de um ator muito especial, não só em Portugal, como fora.” Com uma forte componente física, que inclui o uso de tecidos verticais recuperados da sua formação no Chapitô, Uma Brancura Luminosa assume-se como uma proposta exigente e profundamente sensorial. “Vinte e tal anos depois, não estava nada à espera de estar pendurada nesses tecidos. Agora tenho de fazer preparação física obrigatoriamente para conseguir cumprir com a exigência do espetáculo”, revela. Peça em cena no Teatro Variedades até dia 25 de janeiro.


