Como uma fénix, a atriz parece ter conseguido reinventar-se uma vez mais. Aos 58 anos, Pamela Anderson iniciou a sua própria revolução nos parâmetros de beleza em Hollywood, mantém-se fiel às suas causas, sobretudo na defesa dos animais, e profissionalmente o seu momento parece ter finalmente chegado. Depois da atuação como Roxie Hart na produção da Broadway de “Chicago”, foi aclamada pela crítica pelo papel em “The Last Showgirl” e, já este ano, regressa ao grande ecrã com “Naked Gun”, ao lado de Liam Neeson, por quem se encantou nas filmagens. Nenhum dos atores confirmou a relação amorosa, mas a química durante a tournée de promoção do filme gerou muita especulação. A tranquilidade na vida de Anderson chega com uma maturidade que contrasta com a imagem com que foi carimbada no passado. A fama chegou depois de ter surgido no ecrã durante um jogo de futebol americano. Corria o ano de 1989 e o convite para ser a playmate do mês da Playboy não tardou, o que lhe abriu as portas para a representação. No entanto, os papéis de Lisa, na sitcom “Home Improvement” ou de C.J. Parker em “Marés Vivas” deram o mote para que a carreira girasse apenas em torno das suas características físicas. O que se intensificou em 1995, depois de vídeos privados de sexo explícito entre ela e o então marido, o músico Tommy Lee, terem sido roubados e vendidos. Embora tenha voltado a encontrar algum trabalho como atriz, a carreira seguiu o caminho daqueles que estão longe de ser grandes estrelas. Já em 2023, Pamela partilhou, num documentário para a Netflix, o quão devastador foi para a sua carreira e para o casamento, que terminou em 1998, ver os momentos íntimos tornados públicos. “Se alguém vê, se alguém compra, se alguém vende, é simplesmente patético. Não se pode calcular a quantidade de dor e sofrimento que causou.” No mesmo documentário, partilhou a história de sobrevivência e traumas de infância, algo que já tinha mencionado no livro de memórias, “Love, Pamela”, onde relata os três casos de abuso sexual que sofreu em criança, bem como os maus-tratos de que a mãe era vítima às mãos do seu pai e os que também sofreu, nomeadamente quando estava casada com Tommy Lee, que acabou preso, depois de a ter pontapeado enquanto Pamela segurava o filho bebé, Dylan, ao colo. “Não sou uma vítima e não sou a donzela em perigo. Fiz as minhas escolhas e sempre me consegui reencontrar. E isso criou uma pessoa e uma mãe fortes”, afirmou. Tanto o documentário como a biografia permitiram um olhar diferente sobre si por parte do público, mas que também atraiu a atenção da cineasta Gia Coppola, que a escolheu para “The Last Showgirl”. A atuação vulnerável de Anderson rendeu-lhe elogios, e nomeações ao Globo de Ouro e Screen Actors Guild Awards. Apesar da expectativa, não foi nomeada ao Óscar: “A vitória está no trabalho”, disse à Elle. “Consegui fazer algo que realmente amo, e precisava de o fazer pela minha alma.” Vegan assumida, publicou um livro de receitas e escreveu dois romances. Quanto à beleza, Pamela tem provado que menos é mais. A atriz fez da naturalidade a sua marca registada e, longe de esconder a passagem do tempo, encara-a como mais um aspeto da vida, não recorrendo a cirurgias ou botox e tendo há já vários anos optado por deixar de usar maquilhagem. “Hidratar é o meu truque antienvelhecimento favorito.” E afirma : “As pessoas esperam que pareça a mesma de há 30 anos, mas não quero viver presa a essa imagem.”


