Na noite de terça-feira, 10 de junho de 2025, o ator Adérito Lopes, membro da companhia A Barraca, foi alvo de um ataque violento junto ao teatro onde se preparava para uma celebração dedicada a Camões, em Lisboa. A ação foi perpetrada por um grupo de cerca de 30 indivíduos de extrema-direita, que exibiam slogans xenófobos como “Portugal aos portugueses” e integravam movimentos neonazis. Durante o incidente, Adérito foi atingido com um soco—supostamente com uma soqueira ou anéis—e sofreu ferimentos no rosto e em redor de um olho, necessitando de pontos e de observação hospitalar, embora esteja agora estável. sicnoticias.pt A Polícia de Segurança Pública foi chamada por volta das 20h15 no Largo de Santos, tendo identificado um suspeito de 20 anos, membro do grupo “Portugueses Primeiro” e com ligações ao movimento neutonazi “Blood & Honour”. Segundo Maria do Céu Guerra, em declarações à Sic pouco depois do epsiódio, o grupo começou por provocar uma das atrizes, que conseguiu escapar sem ser agredida, dirigindo-se depois a outro grupo de atores, quando finalmente um dos elementos agrediu Adérito Lopes, com um soco no olho, provavelmente com uma soqueira ou com anéis. Adérito Lopes ficou com rasgões na cara e teve de ser levado ao hospital de urgência para ser suturado. O ator encontra-se a recuperar já em casa com vários ferimentos na cara. Teresa Miguel Amaral, agente do ator, adiantou ao DN que “a recuperação vai ser difícil e lenta. Isto porque a agressão foi muito violenta. O agressor terá usado mesmo uma soqueira” acrescentando que o ator “Está muito combalido. É uma situação bastante traumatizante” O Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito para apurar responsabilidades criminais no ataque. A agressão a Adérito Lopes provocou uma onda de indignação em vários setores da sociedade portuguesa. A ministra da Cultura, Juventude e Desporto classificou o ataque como um atentado contra a liberdade de expressão, contra o direito à criação e contra os valores democráticos, assegurando que “a Cultura não se intimida”. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também reagiu, manifestando solidariedade com o ator e sublinhando a importância de garantir uma sociedade plural e livre de intimidações. Organizações da sociedade civil e do meio artístico não tardaram a juntar-se à condenação do ato. A SOS Racismo considerou a agressão um reflexo preocupante da crescente hostilidade contra minorias. Instituições culturais como a Casa do Artista e o Teatro Nacional D. Maria II expressaram solidariedade e apelaram à união do setor contra o medo. Partidos políticos como o PAN, o PCP, o Bloco de Esquerda e o Livre exigiram uma resposta firme da justiça, reforçando que não há espaço para o ódio e a intolerância numa democracia. Também a Federação Portuguesa de Teatro se pronunciou, defendendo o papel fundamental da arte na construção de uma sociedade livre e plural.


