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Aos 46 anos, Zoe Saldaña afirma que recebeu o papel da sua vida com “Emilia Pérez”

Num ano repleto de estreias quanto a nomeações aos Óscares, Zoe Saldaña, de 46 anos, recebe também pela primeira vez, nos seus 25 anos de carreira, uma indicação como Melhor Atriz Secundária pelo papel da advogada Rita Mora Castro no drama policial musical “Emilia Pérez”. A notícia chegou pouco depois de ter já arrecadado o primeiro Globo de Ouro e o Critics’ Choice Awards na mesma categoria. Desde o início, quando se estreou no drama de ballet“Center Stage”, em 2000, que Zoe uniu o seu extenso treino de bailarina com o amor por contar histórias através da representação. Voltou a fazê-lo nesta obra de Jacques Audiard. Quando o guião de “Emilia Pérez” lhe chegou às mãos, Saldaña diz que percebeu que estava perante o projeto de um sonho que ainda não tinha realizado. “Nos últimos dois anos, sentia que me estava a faltar algo, de unir todos os caminhos da arte que me fazem sentir inteira. Não tinha ideia do quanto precisava de ‘Emilia Pérez’”, disse em entrevista à Tudum, da Netflix. No filme, falado em espanhol, o talento de Saldaña está em pleno, como uma montra das suas habilidades, um desafio por que ansiava há muito tempo. “Dei tudo de mim”, diz a atriz que, para lá dos prémios, não tem dúvida de que este papel foi por si só uma recompensa. “Foi rejuvenescedor. Foi um renascimento. Ter esta oportunidade de voltar a ser quem realmente acredito ser. Foi como voltar ao início. Lembro-me de ser adolescente e ir ao Angelika  Theater [em Nova Iorque] ver os filmes de Audiard e pensar: ‘Se entrar neste meio, ele é o tipo de cineasta para quem quero trabalhar.’” E continua: “Foi uma oportunidade para me redimir. Quando ‘Emilia Pérez’ me bateu à porta, estava numa encruzilhada, a tentar reconectar-me, comigo e com o sentimento que costumava ter, a curiosidade. E foi libertador.” O impulso que ao longo da carreira fez com que Zoe Saldaña prosperasse sob a pressão de ser uma estrela global vem da necessidade. Saldaña cresceu na cidade de Nova Iorque nos anos 80, a segunda de três irmãs. Quando tinha 9 anos, o pai morreu num acidente de carro. A perda teve um efeito cascata para a família: “Quando o meu pai morreu, entrámos em modo de sobrevivência”, disse à Harper’s Bazaar. “Abandonámos todos aqueles pequenos prazeres da vida. Lembro-me de que a minha mãe costumava usar batom vermelho, vestir calções e jeans mais justos, estava sempre bonita e a flirtar com o meu pai e, quando ele partiu, ela não saía da cama.” Após a morte do marido, a mãe de Saldaña enviou as filhas para a República Dominicana, onde tinham família, ficando nos EUA a trabalhar em dois e três empregos para enviar dinheiro e sustentá-las. Para a atriz e as irmãs, a mudança foi profunda. “Não podíamos falar inglês, só espanhol e sofríamos bullying, porque as outras crianças não nos entendiam.” Porém, apesar de difícil, a mudança também significou que se tornou fluente em espanhol e abraçou as raízes dominicanas. Foi também quando começou a dançar. “O ballet foi exatamente o que precisava para acalmar a minha mente inquieta. Estava sempre desligada, era disléxica e tinha muita energia. Lembro-me de me perguntar: ‘Por que é que não me encaixo? Por que faço isto?’ e isso deixava-me muito triste e fazia-me sentir muito isolada.” A dança e mais tarde a representação trouxeram-lhe respostas: “Aprendi de uma forma muito inocente e inconsciente que precisava de viver na arte, porque é nela que encontro paz. Posso descansar quando estou a criar.” Na adolescência, regressou a Nova Iorque e começou o seu caminho para o estrelato. Ao longo do percurso, conseguiu ir resguardando a sua vida privada. Em 2012, iniciou um romance com o ator Bradley Cooper, nas filmagens do filme “As Palavras”, o namoro durou três meses. Em 2013, casou-se com o estilista Marco Perego, com quem tem três rapazes: os gémeos Cy e Bowie, de 10 anos, e Zen, de 8. Depois de ter sido mãe, Zoe Saldaña confessa que lhe é mais difícil estar longe de casa, mas, nessas alturas, o marido assume  as responsabilidades: “Temos um ambiente muito neutro em termos de género, onde o meu marido participa em todas as tarefas que normalmente eram dadas às mulheres e vice-versa. Em certas temporadas sou eu quem assume as operações domésticas para que ele possa concentrar-se na criatividade. Monto móveis ou arranjo coisas que se estragam.  Acho importante criar os rapazes nesse ambiente, e as raparigas também. Ensinamos os nossos filhos a honrar as mulheres e a celebrar o seu eu feminino.” E lembra a lição mais importante que os filhos lhe têm ensinado: “A ser divertida. Como mães, às vezes, esquecemo-nos disso. Estamos a criá-los, a ensinar, disciplinar, a cozinhar e a limpar e não temos tempo suficiente para brincar. Acho que os meus filhos me lembram sempre quando estou a ser muito chata. E dizem: ‘Mamã, tens de ser divertida, anda brincar comigo.’ É isso que eles estão sempre a ensinar-me.” 

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