Maria Velho da Costa morreu este sábado, dia 23 de maio, aos 81 anos. A escritora, prémio Camões em 2002, morreu de forma súbita em casa. Com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, das “Novas Cartas Portuguesas”, obra literária que denunciava a repressão e a censura do regime do Estado Novo, que exaltava a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres, e que valeu às três autoras um processo judicial. Ficou, por isso, conhecida como uma das “Três Marias” . Marcelo Rebelo de Sousa lamentou o falecimento da autora de uma “obra invulgar e memorável”, num comunicado publicado na página da Presidência da República: “Poucos ficcionistas portugueses contemporâneos escreveram livros tão cultos e inventivos, tão exigentes e insubmissos. Maria Velho da Costa era uma ficcionista com aguda consciência de não-ficção, da poesia, do cinema (…) escritora de ideias, muito atenta à dominação das mulheres e a outros mecanismos ancestrais, escritora com grande consciência ideológica e crítica” que trouxe “para o romance uma densa teia de alusões, imitações, homenagens, coloquialismos e arcaísmos, ousadias textuais, bem pensadas e perfeitamente executadas, que a consagraram como uma das maiores experimentalistas da nossa língua”

