Aos 90 anos de vida e 75 de carreira, pouco resta do que Ruy de Carvalho não tenha dado de si aos outros. Durante o seu notável percurso, foi dando lições de vida durante entrevistas, discursos e demais intervenções. Lições reproduzidas agora no livro “O Amor é Isto”, uma obra que, para o escritor e jornalista Mário Zambujal, é “uma adorável coletânea de pensamentos e reflexões, de alguém com uma capacidade mental extraordinária de pensar e de criar”. O livro reúne mais de 150 pensamentos, que passaram para o papel graças à filha do ator, Paula de Carvalho, e ao genro, Paulo Coelho. O apoio e a admiração dos filhos nunca faltaram a Ruy de Carvalho, como partilha o filho do ator, e colega de profissão, João de Carvalho. “O ensinamento da arte fui aprendendo, com ele aprendi o amor à família. Sou pai de dois rapazes, e ele ensinou-me a ensinar-lhes com amor, para um dia eles quererem ser pais como nós.” Ruy de Carvalho conta com o apoio da família, mas também dos amigos. Foi “uma amizade que tem décadas, e que é incondicional”, o que levou Carlos Cruz à apresentação do livro de Ruy de Carvalho, que decorreu na Casa do Artista, em Lisboa. “Da mesma maneira que o Ruy está sempre presente nos momentos importantes da minha vida, não podia deixar de estar nos momentos significativos da vida dele. Ele é um sábio, daqueles que olham a vida como ela deve ser olhada, salientando tudo o que é bom e une as pessoas e menosprezando tudo o que é mau e as divide”, confidenciou, acrescentando: “O Ruy suscita o amor das pessoas, é um ser humano extraordinário.” Muitas das passagens do livro são dedicadas a Ruth de Carvalho, com quem o ator partilhou a vida durante mais de 50 anos, e que faleceu em 2008. O ator recorda a companheira de vida com carinho e saudade. “Continuo a viver com ela. Tenho os meus filhos a lembrar-me permanentemente a mãe e, de vez em quando, ainda converso com ela. Ela está sempre presente.” Em Ruy de Carvalho fica a consciência de que as paixões, as perdas e as batalhas que viveu ao longo de nove décadas não foram em vão. “Queria saber se realmente a minha passagem por esta vida foi útil. Acho que não foi inútil. Acho que consegui fazer alguma coisa pelos meus semelhantes. Soube amá-los, sobretudo.”

