Sábado, Março 7, 2026
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José Rodrigues dos Santos critica “comentadores políticos” e “embuste” aos telespetadores

José Rodrigues dos Santos volta a criticar os chamados “comentadores políticos” e fala em “embuste” feito aos telespetadores

 

O jornalista da RTP é uma das caras que vão estar à frente da nova RTP3, que dá lugar à antiga RTP Informação. “O nome era muito longo. Nem lhe chamávamos assim”, defendeu.

 

Integrando o formato “360º”, que se propõe aprofundar o tema mais relevante do dia, José Rodrigues dos Santos voltou a defender a forma como faz jornalismo político que defende ter de ser “confrontacional”.

 

Em entrevista à
Lux, recordando a polémica que se gerou quando confrontou José Sócrates no seu espaço de análise, voltou a arrasar a chamada posição de “comentadores políticos” e descreveu como um “embuste” aquilo a que as televisões sujeitam os telespetadores.

 


Lux – Depois de ter falado sobre o seu papel na entrevista a José Sócrates, já foi publicada uma troca de SMS com o ex primeiro-ministro. Alguma vez se pronunciou sobre a mesma?

J.R.S. – Não me pronunciei nem vou pronunciar, pois são assuntos entregues à justiça e não me devo pronunciar.

 


Lux – Ações judiciais movidas por si?

J.R.S. – Não, não. As questões relacionadas com José Sócrates, que é uma pessoa sob alçada da Justiça e eu acho que não me devo pronunciar sobre essa situação.

 


Lux – Mas continua a defender que teve razão naquela entrevista [em março passado]?

J.R.S. – Ah, com certeza. Essa sempre foi a minha posição, sempre a divulguei. Nunca enganei ninguém. Eu acho que um jornalista numa entrevista com um político sobre política é, por natureza, confrontacional, e é suspeito quando não o é.

 


Lux – Naquele caso quando ele diz que é comentador…

J.R.S. – Eu julgo que ele teve sempre o cuidado de não dizer que era comentador. Comentador é uma função editorial, em que a pessoa tem opinião mas é uma pessoa é independente. Não é neutral, mas é independente. Ora, se uma pessoa está ligada a um partido não é independente por natureza. Uma coisa é um comentador perito em economia que vem esclarecer uma questão económica, ou um historiador… uma pessoa que está numa situação académica e que dá uma contextualização, explicação. Os políticos quando vão para a antena estão a fazer política, não estão a fazer análise. Estão a vender-nos os seu peixe.

 


Lux – Depreende-se então que há demasiados ‘comentadores políticos’ ligados a partidos.

J.R.S. – Eu acho que não há comentadores políticos. Há políticos a fingirem que são comentadores. E televisões a fingirem que aqueles políticos são comentadores. Quando eles estão lá a fazer política. Portanto é um embuste que está a ser feito aos espetadores.

 


Lux – Não acha que pode haver um político que possa fazer um comentário isento ou imparcial?

J.R.S. – Acho difícil. O que não quer dizer que, por exemplo, há um político que é advogado perito em… direito infantil e vem comentar a situação de uma criança que foi abandonada. Isso é um comentário, porque está ali como advogado. Mas se a pessoa pertence a um partido, está ligado ao partido e às vezes até está a criticar os seus porque há rivalidades internas… Portanto ele não está a dar uma visão independente, ele está a fazer o jogo político. A culpa não é dele, é de quem mete lá o microfone à frente e finge que ele é o que não é e ele depois aproveita…

 


Lux – Será um recurso de baixo custo para as televisões encherem o tempo de antena?

J.R.S. – Não sei, sei que estamos a falar de um embuste e as entrevistas com José Sócrates, acho eu, mostraram como é que o trabalho tem que ser feito. Portanto, os jornalistas têm que confrontar e quando estamos numa posição de cumplicidade, em que estamos ali a dar deixas isto é suspeito. O problema é que isso é que se tornou regra. O anormal, hoje em dia, é o jornalista fazer o seu trabalho que é interrogar de forma confrontacional os seus entrevistados. Isso é que é estranho: como é que se tornou estranho um jornalista exercer a sua profissão?

 


Lux – Sofreu represálias dentro das pessoas desse partido [Partido Socialista]?

J.R.S. – Não, acho que as coisas não funcionam assim. Houve pessoas da política que gostaram, outras não gostaram. Mas limitei-me a cumprir as regras da minha profissão. E eu acho que hoje a história dá-me razão. Eu tive a postura correta.

 

 

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