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Pintura portuguesa decora Muro de Berlim

Quando o Muro de Berlim caiu, Ana Leonor Madeira Rodrigues, então a residir no lado ocidental da cidade, recebeu de uma artista alemã, Ursula Wunsh, um inusitado convite: participar num «assalto pictórico» ao muro, com outros artistas. Aceitou imediatamente.

Anos antes, em 1984 e em 1985, Ana Leonor tinha frequentado em Munique, com a ajuda de uma bolsa da Gulbenkian, a Akademie der Bildenden Kunst. O convite de Ursula Wunsh chegou quando, em Berlim, na Hochschule der Kunst TU, fazia o curso de especialização em Estudos Culturais e Técnicas de Comunicação Estética e Artística.

Ursula integrava o East Side Gallery, o grupo de quem partira a ideia de pintar o muro. Uma das directivas dadas aos participantes mandava que as pinturas tivessem uma relação com a temática ecológica.

Ana Leonor fez a sua parte e, acatando a directiva, pintou o que hoje descreve como «uma espécie de apocalipse».

«Um ano e meio depois a minha pintura e algumas outras foram as primeiras a ser vandalizadas, pintadas de verde. Na altura, perguntaram-me se queria restaurar, mas achei que fazia parte da vida violenta da cidade e esqueci o assunto», contou em entrevista à Agência Lusa.

O tempo passou e a degradação das pinturas foi-se acentuando. Inconformado, o East Side Gallery «conseguiu dinheiro para pagar o restauro de todo o muro» e relançou o desafio. De novo contactada, Ana Leonor aceitou.

A razão por que, desta vez, disse «sim» cabe em poucas palavras: «Porque era uma marca que deixava numa cidade de que gosto tanto, Berlim».

Gostou da experiência de pintar longe do atelier, rodeada de curiosos, de comentários, de barulho. «Diverti-me imenso a pintar em público, com gente sempre a fotografar e a fazer perguntas».

Antes da Alemanha, antes da mudança de cenário social e político operada pela queda do Muro, Ana Leonor vivera, em Portugal, o 25 de Abril.

A Queda do Muro e a Revolução dos Cravos são para ela «duas das mais importantes revoluções do século XX».

«Ambas tiveram em comum a concretização de uma quase utopia», diz, pensando agora que tê-las vivido teve como «principal consequência» passar a «acreditar que todas as coisas, mesmo as impossíveis podem acontecer».

«Há sempre – resume – aquela euforia de não acreditar no que está acontecer e de ficar histérica de felicidade, depois».

Ana Leonor deixou a Alemanha em 1992, vive desde então em Portugal, onde em 1997 se doutorou em Arquitectura, Comunicação Visual com a tese «O desenho, ordem estruturante e universalizante do pensamento arquitectónico» e continua a expor regularmente desenho, pintura e instalação.

Veja, as fotos, abaixo:

Em Fátima permanece um fragmento do muro de Berlim exposto ao público, desde 1994. Segundo o director do Serviço de Estudos e Difusão do santuário é uma forma de perpetuar um acontecimento histórico para a Europa e para o mundo.

O padre Luciano Cristino destacou a relação da queda do muro, em 09 de Novembro de 1989, com a mensagem mariana de «libertação dos povos sob a égide comunista», revelada na segunda parte do segredo de Fátima.

O responsável do Serviço de Estudos e Difusão destaca a inscrição colocada junto ao bloco do muro, da autoria do Papa João Paulo II, na qual agradece à Virgem de Fátima ter guiado «os povos para a liberdade».

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