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João Viana no Brasil para exibir «A Batalha de Tabatô»

O realizador luso-africano João Viana, convidado especial do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, apresenta este domingo ao público brasileiro “A Batalha de Tabatô”, a sua primeiro longa metragem, que recebeu menção especial no Festival de Berlim.

Na avaliação do realizador, que chegou na última quinta-feira no Brasil, o filme também está indiretamente relacionado com o país, que possui fortes raízes africanas e ainda recupera do “trauma do racismo”.

“É através do cinema que resolvemos os nossos traumas coletivos e o racimo é um trauma, o que nós fizemos ao negro não se faz e o Brasil ainda vive isso. Este filme é uma coisa para lavar o olho e ver o negro africano como alguém exatamente igual a nós”, afirmou Viana, em conversa com a agência Lusa no Rio de Janeiro.

A obra, que levou cinco anos para ser filmada, conta uma história de ficção passada numa aldeia real, na Guiné Bissau, onde todos são músicos.

A obra rendeu ao realizador uma menção honrosa na edição de 2012 do Festival Internacional de Berlim, após a qual, segundo revela, tem sido mais fácil angariar fundos para filmar seus novos projetos.

“Após a visibilidade do prémio de Berlim as pessoas vieram ter com esta pequena produtora que somos nós, é sempre assim, os festivais são uma boa montra”, admite, a avançar que já possui financiamento para dois novos projetos.

O primeiro deles será uma curta-metragem que se passa numa pequena ilha vulcânica e falará sobre a crise global do sistema financeiro, enquanto o segundo, uma nova longa-metragem, será filmado em Moçambique.

O financiamento, de acordo com Viana, veio tanto de Portugal quanto de fundos da União Europeia e do Estado francês.

O realizador ressalta, no entanto, que a situação da indústria cinematográfica em Portugal “precisa de atenção”.

“O cinema em Portugal e o financiamento não estão a passar um bom bocado, 2012 foi completamente zero, é inacreditável que um país corte a cultura cinematográfica de um povo todo um ano, isso foi muito grave”, reforçou.

Viana avançou ainda que os realizadores e produtores portugueses estão a reunir-se e deverão convocar em breve uma conferência de imprensa para “conscientizar” os média e a população a propósito da falta de cumprimento da nova lei do audiovisual por parte das emissoras de televisão, que se recusam a pagar o imposto relativo ao incentivo à produção cinematográfica.

“O povo não pode permitir que situações dessas aconteçam e perante esse um ano [que passou sem que a lei fosse devidamente cumprida] temos de fazer alguma coisa”, acrescentou.

Viana congratulou-se ainda com a notícia recém-recebida de que “A Batalha de Tabatô” poderá em breve ser exibida na Guiné Bissau, onde a falta de recursos ainda não havia permitido que a obra fosse mostrada.

“Somos uma pequena produtora e, como não há salas de cinema [na Guiné Bissau], tem de ser mostrado num camião, com um projetor, de aldeia em aldeia. Para chegar à população, tem de ser gratuito”, explica Viana, ao contar que recebeu uma proposta de uma organização alemã, que está interessada em arcar com os custos da exibição.

“A Batalha de Tabatô” terá três exibições durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro, que acontece entre 26 de setembro e 10 de outubro, com a exibição de 380 filmes, de mais de 60 países.

Lusa

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