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Comitiva do Papa presa em engarrafamento por opção do Vaticano

A retenção da comitiva que levava o papa Francisco da Base Aérea do Galeão para o centro do Rio de Janeiro, na segunda-feira, num engarrafamento decorreu de uma escolha do próprio Vaticano, divulgou hoje a imprensa brasileira.

Segundo a Agência Brasil, a informação foi divulgada numa nota conjunta da prefeitura do Rio de Janeiro e da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, do Ministério da Justiça brasileiro, na noite de segunda-feira.

«A retenção ocorrida na avenida Presidente Vargas decorreu de uma série de fatores, em especial, opções do próprio Vaticano, relativas à visibilidade e ao contacto com os peregrinos, manifestadas pelo papa», referiu a nota.

Segundo o comunicado, «a velocidade reduzida da comitiva e a janela do veículo aberta são factos que demonstram o perfil do papa e incentivam a aproximação dos fiéis».

O documento esclareceu que a interdição da via que seria usada pela comitiva papal não estava prevista, já que bloqueios das ruas ocorrerão somente nos locais onde o papa circular em carro aberto.

Durante uma reunião na noite de segunda-feira, na sede do Centro Integrado de Comando e Controle do Rio de Janeiro, as autoridades públicas responsáveis pela segurança e mobilidade do papa consideraram o dia positivo, uma vez que «não ocorreu qualquer incidente envolvendo o papa ou qualquer dos fiéis presentes».

Na segunda-feira, Francisco foi recebido por autoridades brasileiras, entre as quais a Presidente Dilma Rousseff, no Palácio da Guanabara, sede do Governo do Rio de Janeiro.

Cerca de 1.500 pessoas manifestaram-se, na noite de segunda-feira, próximo do Palácio da Guanabara, mas o papa já não se encontrava no local na altura.

A polícia reagiu contra os manifestantes com gás lacrimogéneo e jatos de água, e os confrontos provocaram quatro feridos, tendo sido presas sete pessoas por posse de material explosivo e desacato à autoridade durante a manifestação.

O papa Francisco preside, a partir de hoje e até domingo, às 28.ª Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro, onde são esperados cerca de 1,5 milhões de jovens peregrinos de todo o mundo.

O papa visita o santuário de Aparecida, entre o Rio e São Paulo, na quarta-feira, para rezar à santa padroeira do Brasil.

Na quinta-feira, depois de receber as chaves da cidade e benzer a bandeira dos Jogos Olímpicos de 2016, numa cerimónia em que estarão presentes os futebolistas Pelé e Neymar, o papa visita a Varginha, uma favela pacificada do Complexo de Manguinhos, numa das zonas mais pobres e perigosas do Rio.

Francisco, que declarou querer «uma Igreja pobre para os pobres», vai encontrar-se com residentes.

No mesmo dia, realiza-se a festa de abertura das JMJ na praia de Copacabana. As autoridades brasileiras esperam entre 1,5 e dois milhões de jovens.

Na sexta-feira, o papa encontra-se com reclusos, e também com alguns dos peregrinos jovens das JMJ, antes de percorrer um grande calvário também na praia de Copacabana.

No sábado, realiza-se uma vigília de oração no «campus fidei» (terra de fé) de Guaratiba, um imenso terreno preparado para esta ocasião, a cerca de 40 quilómetros a oeste do Rio.

No domingo, o papa celebra a missa de encerramento das JMJ, regressando ao Vaticano.

LUSA

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