Renato Seabra, o jovem de Cantanhede acusado do homicídio do colunista social Carlos Castro em Nova Iorque, vai ficar pelo menos mais dois meses a aguardar julgamento.
Em nova audiência no tribunal de Nova Iorque, o juiz-chefe Michael Obus, relegou para 23 de julho uma decisão sobre o início do julgamento, mas o advogado de defesa de Seabra, David Touger, afirma ser «improvável» um arranque antes de setembro.
«Como nos últimos 2 meses, estamos à espera de uma data para o julgamento, mas não conseguimos», disse o advogado após a sessão em tribunal citado pela Lusa.
Na sessão anterior, o juiz Charles Solomon remeteu o caso para o juiz-chefe, defendendo que o caso de Carlos Castro deve ter prioridade sobre outros em que a procuradora pública Maxine Rosenthal está envolvida, fixando como objetivo que o julgamento de Seabra tenha lugar em julho.
Em anteriores audiências do caso, Solomon tinha apontado abril ou maio como horizonte para arranque do julgamento, que deverá durar entre 2 e 3 semanas.
Com o jovem português sentado junto a Touger e a sua mãe na audiência acompanhada de uma amiga, procuradora e defesa discutiram hoje a questão com Michael Obus, juiz que teve recentemente em mãos o caso de Dominique Strauss-Khan.
O advogado de defesa afirma «esperar» que o julgamento possa arrancar em setembro, mas que está pronto para começar antes, se o juiz assim determinar.
Questionado sobre a possibilidade de o processo ser transferido para outra procuradora com maior disponibilidade de agenda, Touger afirmou que tal decisão compete ao juiz, mas que é «duvidoso« que venha a ser tomada.
Segundo o advogado, que vem dizendo há meses estar preparado para o julgamento, não é raro que o suspeito de um homicídio fique mais de um ano à espera, como acontece com Seabra, acusado de homicídio em segundo grau pela procuradoria de Nova Iorque.
A demora na entrega de elementos e no arranque do julgamento motivou acesas discussões na sala de audiências entre defesa e acusação, levando o juiz a declarar-se «frustrado» com o andamento lento do processo.
O caso remonta a 07 de janeiro de 2011, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilhara com Renato Seabra em Manhattan.
O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.
O jovem português foi recentemente transferido de uma camarata para uma cela individual, dado o longo período, mais de um ano, em que chegou à prisão.
A defesa sustenta que o jovem deve ser considerado «não culpado por razões de doença ou distúrbio mental» e mostra-se confiante que esta tese vai prevalecer perante um júri, quando o julgamento arrancar, escudando-se em relatórios psiquiátricos.
Lusa


