O juiz do caso Carlos Castro declarou-se «frustrado» com o andamento do processo, depois de a Procuradoria de Nova Iorque ter falhado novamente a entrega em tribunal do relatório psiquiátrico de Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista.
No final de uma curta sessão no tribunal de Nova Iorque, esta sexta-feira, em que esteve presente Renato Seabra e, na audiência, a sua mãe, o juiz Charles Solomon reagendou para a próxima sexta-feira, dia 24, a entrega do relatório, admitindo chamar o psiquiatra a dar explicações em tribunal.
O advogado de defesa de Renato Seabra, David Touger, considerou «inacreditável» a «espera de dois a três meses» pelo relatório e por análises de DNA que a acusação também tem de entregar.
Quando a procuradora Maxine Rosenthal protestou, a sessão parecia encaminhar-se para uma discussão acesa semelhante às registadas anteriormente, mas o juiz interveio para serenar os ânimos.
«Não têm de discutir. Também estou um pouco frustrado com isto. Não culpo ninguém, só quero que isto seja feito», disse Solomon.
A justificação apresentada pela procuradora foi que o perito encarregado do relatório está «fora da cidade e precisa de mais uma semana», segundo disse no final da audiência o advogado David Touger.
Renato Seabra está acusado de homicídio em segundo grau pela procuradoria de Nova Iorque.
O caso remonta a 7 de janeiro de 2011, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilhara com Seabra, em Manhattan.
O relatório apresentado pela defesa aponta para «doença ou debilidade mental», como motivo do crime, o que pode mesmo conduzir a uma absolvição e a uma posterior audiência sobre se Seabra está em condições de ser libertado.
Se o relatório da Procuradoria sustentar a mesma conclusão, «será difícil» haver sequer um julgamento, disse Touger.
Se a conclusão for em sentido inverso, o julgamento terá lugar depois de março, afirma o advogado, e deverá estar concluído em menos de um mês.
Renato Seabra foi interrogado duas vezes pelo psiquiatra contratado pela procuradoria, com recurso a um intérprete, e sujeito a um teste escrito em português.
O psiquiatra pediu também para interrogar a mãe do jovem, mas esta admitiu responder apenas por escrito, o que foi rejeitado.
O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.
De fato cinzento e gravata, o jovem português mostrou-se muito concentrado nas palavras do tradutor durante a sessão e ao sair da sala escoltado pela polícia demorou-se a olhar para a mãe na audiência.
Lusa


